Interpretação de texto no CACD: funções da linguagem, figuras e intertextualidade

Ricardo Pereira 04 de agosto de 2026
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Interpretação de texto no CACD: funções da linguagem, figuras e intertextualidade

Português no CACD não é só gramática. Entenda a interpretação de texto: os três conhecimentos, tipologia, funções da linguagem, figuras, coesão e a intertextualidade que a banca cobra.

Português no CACD não é só “certo ou errado” de gramática. Boa parte da prova de interpretação mede outra coisa: como o texto é construído, com que intenção e em que contexto. O candidato que só decora regra trava na hora de ler o sentido. Este artigo sistematiza a aula do professor Ricardo Pereira, do Instituto Diplomacia, sobre interpretação de texto, funções da linguagem, figuras e intertextualidade — os recursos que a banca cobra.

Interpretar não é só corrigir

Quando estudamos compreensão e interpretação de texto, estamos mais perto da linguística da textualidade do que da gramática do certo/errado. O foco é a intencionalidade, a contextualidade e os objetivos maiores do texto. Um exemplo: “eu a vi” (norma culta) e “eu vi ela” (coloquial) não são simplesmente certo e errado — se o objetivo do texto é reproduzir a fala, a modalidade se adapta. Interpretar é ler essa intenção.

Os três conhecimentos para interpretar

Ricardo organiza a interpretação em três conhecimentos que o leitor mobiliza:

  • Conhecimento linguístico — a língua e sua gramática.
  • Conhecimento de tipologia — os tipos e gêneros textuais.
  • Conhecimento de mundo — o repertório de vida e cultura do leitor.

Um texto é uma unidade de sentido composta de linguagem — no nosso caso, a língua portuguesa. E interpretar exige os três: faltando repertório (conhecimento de mundo), muita questão se torna impossível.

Tipos e gêneros textuais

O conhecimento de tipologia merece destaque porque orienta a leitura. Os tipos textuais (narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo, injuntivo) são estruturas; os gêneros (a notícia, o editorial, a crônica, o poema, o verbete) são as formas concretas em que esses tipos circulam socialmente. Reconhecer com que tipo e gênero se está lidando já antecipa a intenção do texto — um editorial argumenta, uma crônica flagra o cotidiano, um verbete informa — e evita interpretar um texto pela chave errada.

Níveis de linguagem e adequação

A língua tem vários níveis — culto, popular, regional, gírias, vulgar — e, atenção, não há hierarquia entre eles. O que existe é adequação linguística: cada nível serve a um contexto. Cobrar “erro” onde havia escolha estilística é o equívoco que a banca gosta de flagrar. Saber reconhecer a adequação (por que aquele registro foi usado ali) é meio caminho para a interpretação correta.

Funções da linguagem

As funções da linguagem se ligam aos elementos da comunicação:

  • Emotiva (expressiva) — foco no emissor.
  • Conativa (apelativa) — foco no receptor.
  • Poética — foco na mensagem.
  • Metalinguística — foco no código (a língua falando dela mesma).
  • Fática — foco no canal (testar/manter o contato).
  • Referencial — foco no contexto/referente.

Identificar a função predominante num trecho é uma das cobranças mais diretas — e depende de reconhecer para qual elemento da comunicação o texto aponta. Lembre-se de que um mesmo texto pode combinar funções; a questão pede a predominante.

Denotação, conotação e figuras de linguagem

A diferença entre linguagem literal (denotação) e figurada (conotação) abre a porta das figuras de linguagem. Alguns exemplos que Ricardo trabalha:

  • Paradoxo: “chorar de alegria” — a união de ideias opostas.
  • Hipérbole: “chorei até secar” — o exagero intencional.

Reconhecer a figura certa (e não confundir paradoxo com hipérbole, por exemplo) é o tipo de precisão que distingue a boa resposta. A dica prática: volte à definição — o paradoxo une contrários; a hipérbole exagera; a metáfora transfere sentido; a metonímia substitui por proximidade. Se você esquecer o nome, descreva o mecanismo — a banca valoriza o entendimento, não só o rótulo.

Intertextualidade (o que a banca adora)

Intertextualidade é a conversa entre textos — quando um texto dialoga, cita ou reinterpreta outro. A teoria é simples; a aplicação é que separa os candidatos, porque exige conhecer o texto de base. Ricardo destaca que bancas como a FGV adoram cobrar isso: sem o repertório do texto original, a questão fica inacessível. Daí a importância de acumular leituras — a interpretação de intertextos é, no fundo, um teste de conhecimento de mundo. Poemas canônicos, provérbios, obras clássicas e referências da cultura brasileira são material fértil para esse tipo de cobrança.

Coesão e coerência

Dois conceitos fecham a leitura da textualidade. A coesão é a amarração formal do texto — os conectivos, as retomadas, os pronomes e advérbios que costuram as frases. A coerência é a lógica de sentido — a relação entre as ideias, sem contradição, dentro de um propósito. Uma questão pode pedir a função de um conector (coesão) ou avaliar se uma conclusão decorre das premissas (coerência). Perceber a diferença — forma x sentido — ajuda a responder com segurança e é base também para a boa escrita.

Como a banca cobra interpretação de texto

A prova de Português cobra menos “pegadinha” de regra e mais leitura de sentido: função da linguagem predominante, figura empregada, tipo/gênero textual, adequação do registro, coesão/coerência e, sobretudo, intertextualidade. O candidato que só treinou gramática seca fica exposto justamente nesses pontos, que dependem de repertório e de sensibilidade textual.

Como estudar de forma estratégica

Duas frentes andam juntas: consolidar a teoria (funções, figuras, tipologia, coesão/coerência) e ampliar o repertório (ler literatura e textos de referência, para dar conta da intertextualidade). No Instituto Diplomacia, Português é trabalhado com foco na interpretação real de prova e na escrita, com correção no padrão do Instituto Rio Branco e diagnóstico individual (BDI). Conteúdo você constrói lendo; o que vira aprovação é ler com intenção, não só corrigir.

Perguntas frequentes

Interpretação de texto é o mesmo que gramática?

Não. A interpretação foca a construção, a intenção e o contexto do texto (a textualidade), enquanto a gramática trata da correção. Uma questão de interpretação pode aceitar uma forma coloquial se o objetivo do texto for reproduzir a fala.

Qual a diferença entre tipo e gênero textual?

O tipo é a estrutura (narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo, injuntivo); o gênero é a forma concreta em que o tipo circula (notícia, editorial, crônica, poema, verbete). Reconhecer ambos antecipa a intenção do texto.

Existe hierarquia entre os níveis de linguagem?

Não. Culto, popular, regional, gírias e vulgar não são melhores ou piores entre si — o que existe é adequação ao contexto. Julgar como “erro” uma escolha adequada é um equívoco comum.

Quais são as funções da linguagem?

Emotiva (emissor), conativa (receptor), poética (mensagem), metalinguística (código), fática (canal) e referencial (contexto). Um texto pode combinar funções; a questão pede a predominante.

Qual a diferença entre coesão e coerência?

Coesão é a amarração formal (conectivos, retomadas, pronomes); coerência é a lógica de sentido (relação entre ideias, sem contradição). Uma é forma, a outra é sentido.

Por que a intertextualidade é tão cobrada?

Porque a teoria é simples, mas a aplicação exige conhecer o texto de base — é um teste de repertório. Bancas como a FGV usam intertextos justamente para medir o conhecimento de mundo do candidato.

Este artigo sistematiza a aula do professor Ricardo Pereira, do Instituto Diplomacia. Para estudar Português com foco na interpretação de prova e na escrita, conheça a preparação do Instituto Diplomacia.

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