CELAC no CACD: origem, os 33 países e a inserção da América Latina

Leonardo Rocha Bento 04 de agosto de 2026
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A CELAC não é 'só mais um bloco'. Entenda de onde vem (Contadora, Grupo do Rio), o que é (33 países, sem os EUA), como funciona e o papel de plataforma da América Latina.

A CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) é tema de Política Internacional que o candidato costuma tratar de forma superficial — como se fosse "só mais um bloco". Mas a banca cobra de onde ela vem, o que ela é e o que ela busca. Este artigo sistematiza a aula do professor Leonardo, do Instituto Diplomacia, sobre a CELAC e a inserção internacional da América Latina e do Caribe.

De onde vem a CELAC

A CELAC não nasce do zero: ela é herdeira de dois processos. O mais antigo remonta ao Grupo de Contadora (1983) — Colômbia, México, Panamá e Venezuela —, criado num contexto de recrudescimento dos conflitos na América Central. Dois anos depois, em 1985, surge o Grupo de Apoio à Contadora. Da fusão desses esforços forma-se o Grupo do Rio, que realizava cúpulas anuais de chefes de Estado e de governo (entre 1987 e 2004) e atuava como voz da região em foros internacionais, como a Assembleia Geral da ONU.

Com o tempo, o Grupo do Rio perdeu fôlego, e em 2011 foi substituído pela CELAC. Entender essa linhagem (Contadora → Grupo do Rio → CELAC) é o que dá profundidade à resposta.

O que é a CELAC

A CELAC reúne os 33 países da América Latina e do Caribe — de toda a América Latina "latina" ao Caribe anglófono (Dominica, Granada, Bahamas, Barbados, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas), além de casos como Belize e a incorporação de Cuba, República Dominicana e Haiti no final dos anos 2000. É, portanto, o arranjo mais abrangente da região — e, diferentemente da OEA, não inclui os Estados Unidos nem o Canadá, o que lhe dá um caráter de concertação propriamente latino-americana e caribenha.

Como a CELAC funciona

A CELAC tem institucionalidade leve, sem secretariado permanente. A coordenação se dá pela presidência pro tempore: o país que vai sediar a cúpula seguinte assume a condução, prepara o processo até a cúpula e depois passa o bastão. Há ainda mecanismos como a troika (que chegou a virar quarteto), o mesmo tipo de arranjo de coordenação que existe no G20. É um foro de concertação e diálogo político, não uma organização supranacional — ponto que a banca gosta de checar.

A CELAC como plataforma de inserção

Um dos usos mais importantes da CELAC é servir de plataforma para a região se posicionar como grupo diante de outros atores. Daí os arranjos inter-regionais: a CELAC-União Europeia (herdeira dos encontros América Latina e Caribe-UE) e o Fórum CELAC-China (a partir de 2014-2015, já em várias edições). Nesses formatos, a América Latina e o Caribe negociam de forma coletiva com potências e blocos — ganhando peso que teriam menos isoladamente.

O desafio do consenso

Aqui está a tensão que a prova adora: numa região polarizada ideologicamente, é difícil encontrar zonas de consenso. A mesma dificuldade que aparece na integração sul-americana se amplia em escala latino-americana e caribenha. Por isso a CELAC oscila entre momentos de protagonismo e de paralisia, conforme a conjuntura política dos governos da região. Reconhecer esse limite — e não idealizar o bloco — é sinal de maturidade na resposta.

A CELAC e o Brasil

Para a política externa brasileira, a CELAC se insere num movimento estratégico: o desenvolvimento natural do Mercosul levou o Brasil a olhar para a América do Sul (as cúpulas sul-americanas a partir de 2000, depois a UNASUL) e, num passo mais amplo, para toda a América Latina e o Caribe. No governo Lula, esse alargamento do olhar regional ganhou centralidade. A CELAC dialoga, portanto, com a lógica da inserção autônoma que marca a PEB — um tema que se conecta diretamente aos paradigmas da política externa brasileira.

Como a banca cobra a CELAC

O tema está em Política Internacional (integração regional além do Mercosul e da UE). As cobranças típicas: a origem (Contadora → Grupo do Rio → CELAC 2011), a composição (33 países, sem EUA/Canadá, contraste com a OEA), o funcionamento (pro tempore, sem secretariado) e o papel de plataforma (CELAC-UE, CELAC-China). Fonte oficial recomendada: o que o Itamaraty publica sobre a CELAC em seu site e os comunicados das cúpulas.

Como estudar de forma estratégica

Estude a CELAC junto com o Mercosul, a UNASUL e a OEA — a prova cobra a integração regional em rede, comparando os arranjos. Fixe a linhagem histórica e o contraste com a OEA (com x sem os EUA). No Instituto Diplomacia, Política Internacional é trabalhada de forma integrada, com treino no padrão da prova e diagnóstico individual (BDI). Conteúdo você constrói com as fontes certas; o que vira aprovação é ligar os blocos, não decorá-los soltos.

Perguntas frequentes

O que é a CELAC?

É a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que reúne os 33 países da América Latina e do Caribe. É um foro de concertação e diálogo político, sem os Estados Unidos nem o Canadá — ao contrário da OEA.

De onde veio a CELAC?

De dois processos: o Grupo de Contadora (1983) e o Grupo de Apoio à Contadora (1985), que formaram o Grupo do Rio. Este realizava cúpulas anuais e foi substituído pela CELAC em 2011.

Qual a diferença entre a CELAC e a OEA?

A OEA inclui os Estados Unidos e o Canadá; a CELAC reúne apenas os países da América Latina e do Caribe, com caráter de concertação propriamente latino-americana e caribenha.

Como a CELAC é coordenada?

Por presidência pro tempore: o país que sediará a próxima cúpula conduz o processo e depois passa o bastão. Há mecanismos como a troika, e não há secretariado permanente — a institucionalidade é leve.

O que são os fóruns CELAC-UE e CELAC-China?

São arranjos inter-regionais em que a América Latina e o Caribe negociam coletivamente com a União Europeia e com a China, usando a CELAC como plataforma para ganhar peso diante dessas potências.

Por que a CELAC tem dificuldade de agir?

Porque a região é politicamente polarizada, o que dificulta encontrar zonas de consenso. A CELAC oscila entre protagonismo e paralisia conforme a conjuntura dos governos da região.

Este artigo sistematiza a aula do professor Leonardo, do Instituto Diplomacia. Para estudar Política Internacional de forma integrada, com treino no padrão da prova e diagnóstico individual (BDI), conheça a preparação do Instituto Diplomacia.

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